Família contesta versão da PM sobre morte de empresário: ‘despreparada’

Segundo a polícia, empresário foi morto em intervenção após surto. Tiro de bala de borracha atingiu marca-passo da vítima e o levou à morte

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A família do empresário Fernando Rosamília Bello, de 50 anos, morto após uma intervenção da Polícia Militar em São Sebastião, questiona a ação da polícia no caso. Segundo a esposa, o marido sofria de mal de Parkinson e precisava de ajuda para se locomover. Ele foi morto após um tiro de bala de borracha atingir seu marca-passo, que envia estímulos ao cérebro e ajuda na locomoção. A Polícia Civil apura o caso.

Fernando morreu na noite de domingo (9). Segundo a Polícia Civil, o empresário estava arremessando objetos pela janela do sobrado no bairro Juquehy, e armado com uma arma de pressão durante um surto. Ele atirou contra um pedestre, que foi atingido por uma bala de chumbinho e teve ferimentos leves.

Os vizinhos acionaram a PM, que tentou contê-lo com spray de pimenta e com tiro de bala de borracha. O projétil acertou o marca-passo cerebral de Fernando, danificando o aparelho. Ele chegou a ser socorrido, mas não resistiu e morreu a caminho do hospital.

Para Nilce Toalhares, esposa da vítima, houve despreparo da polícia na ação. “A versão da polícia é questionável. Como uma pessoa que usa bengala, que tem uma doença que não deixa o corpo estável atira em alguém? Tem força para agir como eles disseram? Minha casa estava cheia de sangue e ele ferido. A polícia foi completamente despreparada na ação. Eles tiraram a vida do meu marido, uma pessoa debilitada, que precisava de ajuda. Nós vamos a justiça para que a vida dele não seja em vão”, lamenta Nilce.

De acordo com ela, o homem sofria de mal de Parkinson e precisava de ajuda para as atividades mais simples. Ele raramente ficava sozinho.

“Nós tentamos [socorro] com o Samu enquanto estávamos lá, acionamos a polícia. Sabíamos que ele não estava bem, mas ele tinha problemas de saúde, era um homem debilitado e estava instável emocionalmente também por causa da doença”, conta.

Fernando trabalhava com uma empresa de tecnologia, mas passava por problemas financeiros. Com o avanço da doença, ele passou por problemas emocionais e tomava antidepressivos. Há alguns meses havia passado pela cirurgia que instalou o marca-passo cerebral. O aparelho mandava estímulos elétricos ao cérebro para auxiliar na locomoção. Ele não podia se mover sem o aparelho.

Uma funcionária que trabalha para a família do empresário chegou ao local minutos depois da ação da PM. Ela conta que ficou na casa com a polícia até às 6h de segunda-feira (10) sem notícias de Fernando.

“Eles me disseram que ele estava bem e que estava sendo medicado e eu ficava passando isso para a família. Mas a verdade é que ele já estava morto há mais de cinco horas e eles esconderam isso. Na casa, a cena era de terror, sangue para todo lado e contamos cerca de 30 cápsulas de bala de borracha, além dos frascos das bombas de gás”, conta Lucinete Franco Salles.

De acordo com o laudo preliminar apresentado pela polícia, a bala de borracha acertou o peito do empresário e danificou o aparelho. O caso foi registrado na Polícia Civil como homicídio decorrente de intervenção policial e será apurado. O corpo de Fernando está sendo velado em Piracicaba.

A PM informou em nota que a causa da morte vai ser comprovada por laudo pericial e, pode ter sido a descarga do aparelho de marca-passo, ou o esforço desprendido pela vítima no ato da prisão. Sobre o disparo com bala de borracha, que consta no boletim de ocorrência, a corporação não comentou. Um inquérito interno foi instaurado para a apuração dos fatos.

g1

11/10/16

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