Na sucessão de erros do Fla-Flu, difícil dizer de quem é o maior: de Meira Ricci, da CBF ou da Fifa

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Fica até difícil de falar de futebol quando o jogo termina como terminou o Fla-Flu desta quinta, em Volta Redonda. O Flamengo venceu por 2 a 1, em clássico cheio de tensão, e se aproximou do Palmeiras no topo da tabela, apenas um ponto atrás dos líderes do Brasileirão. Estes fatos, entretanto, se diluem em toda a discussão que se criou ao redor do tento anulado de Henrique, que daria o empate ao Fluminense aos 39 minutos do segundo tempo. Sandro Meira Ricci conseguiu desagradar, em momentos distintos, os dois lados pelo mesmo lance. Por fim, após 13 minutos de paralisação, acertou na marcação do impedimento, mas errando, ao desconsiderar a marcação inicial do assistente e, principalmente, caso tenha mesmo sido influenciado externamente pelo uso de vídeo. Daquelas jogadas que serão debatidas por muito tempo e marcarão o campeonato, infelizmente, por causa de uma arbitragem fraca – no sentido técnico, mas também no mental.

A confusão reinou no Estádio da Cidadania. O primeiro gol do Flamengo, aos 11 minutos de jogo, já foi passível de muitas reclamações. Pierre e Réver se estranharam no lance, enquanto o zagueiro rubro-negro pareceu em posição duvidosa antes de interferir na jogada. Por fim, Leandro Damião foi apontado na súmula como autor do tento, quando ele mesmo falou que tocou no marcador tricolor. O empate saiu no primeiro minuto da segunda etapa, com Marcos Júnior. Mas, aos oito, Fernandinho retomou a vantagem para o Fla após furada clamorosa de Wellington Silva dentro da área.

Isso tudo até Sandro Meira Ricci, de tantas arbitragens ruins nos últimos tempos, roubar a cena para si. Em uma cobrança de falta lateral, como o que gerou toda a polêmica, a sinalização do impedimento costuma ser simples. Não tem nem bola rolando para complicar: basta ao assistente acompanhar a linha de zaga, ver a hora em que o cruzamento sai e olhar de novo onde está o penúltimo defensor. Emerson Augusto de Carvalho fez isso, percebeu a posição adiantada de Henrique (ao lado de outros três tricolores) e levantou a bandeira. O problema veio depois, quando a reclamação dos jogadores do Fluminense com o assistente fizeram Meira Ricci validar o tento.

Então, consumou-se a muvuca. Os jogadores do Flamengo, revoltados, partiram para a pressão. Avisados pela diretoria, conforme confirmou Réver na saída de campo, se queixaram que o gol tinha sido ilegal. Meira Ricci precisou de 12 minutos (além da proteção policial) para refletir sobre a jogada, até que anulasse o gol de vez. E deixou o entrave, para que os tricolores chiassem. Segundo os atletas do Flu, “a ordem veio de cima” – como se decisão tivesse sido tomada pelo quarto árbitro, com o auxílio da televisão. No fim das contas, sequer houve acréscimos em Volta Redonda.

Todo mundo (menos Meira Ricci) acaba com sua parcela de razão. A posição de anular o gol, como o assistente havia apontado inicialmente, foi a correta. Mas só tomada por uma sequência de erros, seja pela pressão na qual o quarteto de arbitragem sucumbiu ou, principalmente, pela possível interferência do vídeo. Erram ainda a Fifa, ao ser tão conservadora na admissão do uso de imagens, retardando todo o processo e dando margem a esse tipo de polêmica; e a CBF, por preparar mal o seus árbitros para lidarem com situações do tipo.

Peter Siemsen afirmou que vai pedir a anulação do jogo. O Fluminense se sente prejudicado na briga pela Libertadores. Dificilmente o pedido será acatado, considerando os precedentes que parecem cada vez mais recorrentes no futebol brasileiro. “Por linhas tortas”, prevaleceu o correto com a anulação do gol por impedimento. De qualquer forma, não se pode negar um fato importante: apesar de todas as polêmicas já geradas por episódios do tipo, não há uma diretriz clara da CBF sobre as possíveis interferências de vídeos. Um ponto seria orientar as redes de televisão a não repetirem os lances até que os árbitros tomem sua posição definitiva. Pode até soar como “cerceamento da liberdade”, mas, no meio de tamanha discórdia, acaba sendo um caminho para evitar mais confusão – concentrando as decisões apenas aos olhos do trio de campo, por mais suscetíveis a erros que sejam. Ou então assumir de vez o uso de imagens, o que não vai acontecer abertamente, esbarrando na burocracia da Fifa.

A intenção do texto era também discutir o assunto a partir da súmula da partida. No entanto, ela ainda não tinha sido divulgada até o momento desta publicação, ao contrário dos outros jogos iniciados às 21h.

msn

14/10/16

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