Ofício: professores que têm no magistério missão para transformar vidas

Educadores falam do amor pelo magistério

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“Oriundo de uma cidade que nasceu de uma escola [Porto Real do Colégio], pergunto-me se meu destino já não estava traçado antes mesmo das dúvidas que temos ao buscar um caminho profissional”. A indagação do professor Adriano Ribeiro, que leciona História, na Escola Estadual Pedro Reys, em Igreja Nova, mostra que o magistério é mais que uma vocação: é também uma missão que reverbera em toda a sociedade.

A vocação também se manifestou cedo em Rafael Vieira, professor de Geografia em Limoeiro de Anadia. Na infância, costumava brincar de escolinha com os amigos. “Ali era semeado um sonho que mais tarde se tornaria realidade”, lembra o educador. Futuramente, o educador realizaria um segundo sonho: lecionar na unidade de ensino onde cursou o Ensino Médio, a Escola Estadual Francisco Domingues.

Para outros, o magistério foi o caminho para a transformação de sua própria vida. É o caso de José Wilson Almeida, professor de Matemática da Escola Lions Club, de Arapiraca. Filho de pai analfabeto e mãe com pouca habilidade em ler, escrever e contar,  ele cresceu entre os trabalhos da roça e a escola. “Por morar em uma comunidade sem acesso a transporte e carente de professores, aos 16 anos fui convidado para lecionar crianças da 4ª série. Na época, ainda cursava o Ensino Médio” recorda.

Dinamismo

Por ser um motivador e transformador de vidas, o professor também é um profissional que constantemente se reinventa, promovendo projetos que dinamizam a escola.

Janiele Leal, que leciona Química e Biologia na Escola Estadual Maria Amélia Sampaio Luz, em Igaci, é um destes casos. Dentre os seus projetos, estão atividades que conscientizam os alunos sobre os malefícios das drogas e a preservação do meio ambiente.

“Estas ações geraram muitos frutos em nossa comunidade. Por exemplo, nosso projeto de produção de sabão ecológico a partir da reutilização do óleo de cozinha tem proporcionado renda extra para a escola”, informa Janiele.

Com 21 anos de atuação, Flora Márcia de Lima Santos busca diversos artifícios para dinamizar as aulas de Redação da Escola Estadual Ana Lins, em São Miguel dos Campos. O resultado de seu empenho se reflete nas conquistas de seus estudantes: texto de uma aluna ficou entre os três melhores que foram para a Brasília, na escolha do Projeto Jovem Senador.

“Sempre acreditei na minha profissão, somos formadores de opinião e sei que é possível tornar o conhecimento mais acessível e prazeroso”, afirma.

Para os professores de comunidades indígenas Fernanda Honório e Leandro José da Silva, ambos atuando na comunidade Wassu Cocal, em Joaquim Gomes, o magistério também é uma ferramenta para a disseminação da cultura e tradições.

Fernanda, por exemplo, organizou os jogos indígenas da Escola Estadual José Máximo e sempre dá um jeito de incluir as manifestações culturais e corporais de seu povo nas aulas. “Para mim é um privilégio ensinar. Amo fazer o resgate da minha cultura nas atividades que realizo na escola”, fala.

Referência

Por passarem boa parte de seu tempo na escola, o espaço educativo é, para muitos estudantes, um segundo lar. Consequentemente, os professores também se tornam referência para crianças e adolescentes.

Há 35 anos na Escola Estadual Joaquim Diégues, em Viçosa, o professor de História José Cícero Ferreira, popularmente conhecido como Tita, é muito querido por toda a comunidade. “Com ele, você só tem dúvida se quiser, pois faz questão de explicar quantas vezes for necessário. Ele transformou a minha vida”, fala a estudante Maria Grazielle.

Um “patrimônio” da Escola Estadual Aurelina Palmeira, no Vergel do Lago, o professor de Educação Física Nadjelson Nogueira também deixa uma marca na vida de todos os que foram seus alunos.

Uma delas é a jornalista Géssika Costa, que foi aluna do educador do 4º ao 9º ano do Ensino Fundamental. Para ela e seus amigos, “Nadje”, como é carinhosamente chamado, é um amigo, um segundo pai.

“Ele mostra que um grande professor faz a diferença na vida de um aluno. Nunca o vi mal humorado e sempre nos ensinou que o esporte era, acima tudo, uma forma de criar amizades. Também sempre foi muito zeloso conosco. Lembro-me que, após um dia de chuva forte, ele chegou duas horas mais cedo para limpar a quadra e remover a água, pois  não queria que escorregássemos e nem deixássemos de ter aula”, relata Géssika, que, até hoje, mantém contato com o professor.

Ana Paula Lins e Andréa Marinho – Agência AL

16/10/16

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